A tão falada reforma tributária finalmente começou a sair do papel. E não é exagero dizer que ela vai mexer com a vida de todo mundo — de quem empreende, de quem trabalha, de quem consome e até de quem nunca prestou atenção na sigla ICMS.
Se você está perdido no meio de tantos nomes novos, regras que mudam e debates acalorados, fica tranquilo: neste blog a gente vai traduzir tudo pra uma linguagem mais clara, direta e próxima. Sem juridiquês, sem enrolação.
Vamos entender o que muda com a reforma tributária, por que ela é importante, e como se preparar (mesmo que você não seja da área fiscal).
1. Por que o Brasil decidiu fazer uma reforma tributária agora?
Pra começar: o sistema tributário brasileiro é, há muito tempo, considerado um dos mais complexos e ineficientes do mundo. A quantidade de regras diferentes entre estados, municípios e governo federal faz qualquer empresa perder tempo, dinheiro e paciência.
A reforma tem como objetivo:
- Simplificar a cobrança de tributos
- Reduzir a burocracia
- Evitar a chamada "guerra fiscal" entre estados
- Dar mais transparência na cadeia produtiva
A ideia é deixar tudo mais claro, mais justo e mais digital. Se vai funcionar, a gente ainda vai descobrir, mas que vai mudar bastante coisa... isso vai.
2. Quais impostos vão deixar de existir?
A reforma não é só cosmética — ela muda completamente a estrutura de alguns tributos. Olha só o que vai sumir:
- PIS e Cofins (federais)
- ICMS (estadual)
- ISS (municipal)
- IPI (em parte)
No lugar deles, entram dois novos impostos principais:
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), gerido pelo governo federal
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), gerido por estados e municípios
E ambos se baseiam no modelo do IVA (Imposto sobre Valor Agregado), usado em vários países.
3. O que é esse tal de IVA?
O IVA (Imposto sobre Valor Agregado) é um modelo onde o imposto é cobrado ao longo da cadeia de produção, mas de forma transparente. Cada etapa da produção paga sua parte e tem o direito de abater o imposto anterior (crédito).
É como se cada empresa pagasse apenas sobre o que ela realmente "agregou" ao produto ou serviço.
Na prática: menos imposto em cascata, mais clareza, menos distorções.
4. Quem vai pagar mais imposto com a reforma?
Essa pergunta é complexa — e depende muito do setor. Mas algumas tendências já estão claras:
Possivelmente mais carga:
- Setores de serviços (educação, saúde, tecnologia)
- Profissionais autônomos
- Empresas optantes pelo Simples (em alguns casos)
Possivelmente menos carga:
- Indústria
- Exportadores
- Comércio varejista (em alguns cenários)
A lógica é: quem não aproveitava muitos créditos na cadeia vai sentir o peso.
5. E o consumidor, paga mais ou menos?
Essa é outra pergunta com resposta difícil. Teoricamente, a transparência e a eliminação de impostos em cascata podem reduzir os preços. Mas, na prática, existe risco de aumento no curto prazo, principalmente em serviços.
Tudo vai depender de como as empresas vão repassar os novos custos.
6. Como fica o Simples Nacional?
O Simples Nacional continua existindo, mas algumas regras mudam:
- Empresas do Simples não terão direito a crédito nos impostos (como CBS e IBS), o que pode gerar desvantagem competitiva
- Podem sofrer pressão de clientes para migrar de regime
Ou seja, não é porque está no Simples que você pode ignorar a reforma.
7. Vai ter fase de transição?
Sim, e ela vai ser longa. A implementação será em fases:
- 2026: Início da CBS (federal) com alíquota teste
- 2027: Entrada da CBS oficial e extinção do PIS/Cofins
- 2029 a 2032: Entrada progressiva do IBS (estadual/municipal) e extinção de ICMS e ISS
Ou seja, por alguns anos, vamos conviver com os dois sistemas. Isso exige atenção redobrada de contadores, empresários e profissionais financeiros.
8. Como empresas devem se preparar?
Algumas ações importantes para quem empreende:
- Revisar todos os contratos e cláusulas de reajuste
- Fazer simulações de carga tributária no novo modelo
- Conversar com contador ou especialista fiscal
- Avaliar mudanças no regime de tributação
- Atualizar sistemas de emissão de nota e ERP
9. E para pessoas físicas, muda algo?
Ainda não. A primeira fase da reforma foca em impostos sobre consumo. Mas já está sendo discutida uma segunda fase, que trata de impostos sobre renda e patrimônio.
Temas como:
- Mudança na tabela do IR
- Tributação de dividendos
- Imposto sobre grandes fortunas
Ainda estão na pauta e devem ganhar força nos próximos anos.
10. Conclusão: é hora de prestar atenção
A reforma tributária vai mudar a forma como o Brasil arrecada impostos — e isso mexe com todo mundo. Mesmo que você não seja contador, empresário ou especialista, vale a pena entender o básico.
Se você tem uma empresa, atua como autônomo ou presta serviços, a atenção precisa ser redobrada. A forma como você se adapta agora pode definir se você vai economizar ou pagar mais lá na frente.
Quando o jogo muda, quem entende as novas regras sai na frente.
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